quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Será o ensino regular a melhor opção para uma criança com necessidades educativas especiais?
O Suporte Emocional

Em primeiro lugar, deve reconhecer-se que o contacto e o convívio, formal e informal, entre os diversos alunos, com e sem deficiências, é um meio para que os comportamentos, típicos de cada um e/ou de cada deficiência se normalizem.
É uma oportunidade para a construção de relações afectivas, que podem vir a revelar-se, ao longo dos anos, como um suporte emocional fundamental na construção da personalidade dos alunos com deficiência. Faz com que ganhem forças para superar modificações sociais, geralmente mais autónomas e diversificadas. Por sua vez os alunos ditos “normais” poderão desenvolver uma maior capacidade da aceitação da diferença.

Suporte Social e instrução
Num envolvimento normal, as pessoas com deficiência podem ter um suporte social e/ ou um suporte instruidor. A convivência com colegas, o apoio destes nas actividades da escola contribui para um suporte social. O suporte instruidor deriva da aprendizagem cooperativa, da aprendizagem por imitação, etc. Estes suportes são bastante importantes no desenvolvimento dos alunos com deficiência mental acentuada. No entanto, especialistas concluem que não se têm valorizado suficientemente o papel que as redes de suporte social podem fazer com estas crianças, bem como com as suas famílias.
O apoio de especialistas pode ir reduzindo as distâncias entre crianças normais e crianças com deficiência, os professores de apoio que trabalham fora da sala de aula, com pequenos grupos de alunos, podem passar a dar apoio dentro dela. Este caminho implica a organização do trabalho interagindo, solidariamente, os dois professores (normal e de ensino especial) assim, podem definir e construir a melhor forma de trabalharem.
Algumas pessoas entendem que o apoio na sala de aula pode ter algumas consequências negativas nas aprendizagens, como por exemplo, uma quebra de atenção por parte do aluno durante a realização de uma tarefa, situações de discriminação, etc.
No entanto, o objectivo fundamental é criar melhores condições de aprendizagem para todos os alunos, a presença de outros recursos na sala de aula, no caso um segundo professor, pode constituir uma ajuda importante.
O aluno com necessidades especiais necessitará sempre de apoio extra aula, o apoio na sala de aula é importante mas não é o suficiente, este deve ser alargado a outros espaços/ambientes.


Cooperação e Organização da Sala de Aula
Uma boa organização na sala de aula exige a presença de regras claras, quer no que respeita ao comportamento, como na forma de execução das tarefas e actividades de aprendizagem. No entanto, todo esse processo de organização e funcionamento deve passar pelo respeito mútuo, pela aceitação e compreensão das necessidades do outro, por um processo aberto e dinâmico de negociação onde o aluno se sente responsável e participante.

Inclusão e suporte social às familias
A implementação da inclusão escolar não deve ignorar o funcionamento das famílias com crianças deficientes. O facto de crianças com necessidades educativas especiais frequentarem uma escola regular é uma fonte geradora de stress.

Stress Familiar e a escola a escolherem
Como já referimos anteriormente as famílias de pessoas com necessidades educativas especiais, embora consideradas competentes e capazes de responder às necessidades dos seus filhos, são particularmente vulneráveis ao stress. Assim, a deficiência influencia as relações familiares a vários níveis tais como a ruptura matrimonial, os desentendimentos entre pais e filhos, a qualidade da relação entre irmãos, o aumento das dificuldades económicas, num maior isolamento, etc.

Mudar a escola tornando-a mais receptiva à diferença (mais inclusiva) é difícil, se esta não se ajustar às expectativas e necessidades das famílias e dos alunos será um factor/fonte considerável de stress e violência para o aluno e para a família.
O aumento do stress familiar, motivado pela decisão da criança com deficiência frequentar uma escola regular, parece resultar de vários factores, tais como:
• Do confronto diário com a diferença entre os seus filhos e as crianças ditas “normais”;
• Do sentimento de discriminação;
• Das dificuldades encontradas na adaptação social e escolar dos seus filhos;
• Do receio da integração levar à perda de outros serviços prestados à criança e à família;
• Do receio de colocarem os seus filhos num envolvimento que consideram “não preparado” para os receber e onde estarão “menos protegidos”.

A diversidade de apoios sociais, formais e informais, parecem reduzir o stress familiar. Uma investigação mostrou que as famílias que apresentam menos stress são as que recebem ajudas a vários níveis. Os parentes e amigos podem desempenhar um papel fundamental no alargamento das relações sociais das famílias com crianças deficientes. Também os profissionais são um apoio importante com que as famílias deverão contar, apesar da história de relações entre pais e profissionais nem sempre tenha sido positiva.

Jogo da MIMOCA - NEE





O Mimoca é um jogo muito simples e muito bem conseguido, elaborado para trabalhar com crianças com NEE, especialmente a patologia deficiência mental.
O jogo da Mimoca pode ser utilizado em diversas actividade pedagógicas. Passarei a enunciar algumas elas:






Desenvolver a leitura





Desenvolver a consciência corporal
 




Desenvolver a memória visual

 
Como o jogo é uma actividade motivadora para as crianças, tornando assim o seu ensino/aprendizagem mais interessante e, por isso, facilitador de melhores resultados, na medida em que a criança "aprende brincando". É neste sentido que este software é um bom amigo para todas as crianças, com especial relevo as crianças com NEE.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ADAPTAÇÕES DA SALA DE AULA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MOTORA

ADAPTAÇÕES DA SALA DE AULA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MOTORA

As modificações que se efectuem na sala de aula para adaptá-la aos alunos com uma deficiência motora dependerão da natureza, do grau de deficiência e da condição física dos alunos. As deficiências motoras são várias, e de entre estas as mais frequentes são: paralisia cerebral, espinha bífida, traumatismo craniano, traumatismo vertebromedulares. As causas podem ser diversas resultantes de lesões no cérebro, nos nervos, ou nos músculos. As lesões podem ocorrer, antes, durante e depois do nascimento. As barreiras arquitéctónicas são um entrave à mobilidade das crianças com deficiências motoras, como tal é aconselhável que se análise de forma pormenorizada os espaços escolares e se proceda à sua adequação, tendo em conta as necessidades e especificidades dos alunos.
Muitas crianças cansam-se facilmente e têm dificuldades em participar nas actividades de aprendizagem que se efectuem nas últimas horas do dia. Alguns dormem a sesta ou fazem algum intervalo. Outros têm que interromper a actividade para tomarem os medicamentos. Os que utilizam cadeiras de rodas podem necessitar que alguém os ajude a mudar de posição evitando desta forma problemas circulatórios. As crianças pequenas que se deslocam em cadeiras de rodas podem sentar-se ou deitar-se no chão da sala para ouvir uma narração ou para realizar outra actividade.
Tanto do ponto de vista educativo, como social, não é possível generalizar as necessidades dos alunos. Algumas crianças portadoras de deficiências motoras gostam da escola e até sobressaem nas áreas curriculares. Outros apresentam maiores dificuldades de aprendizagem.

A importância do nome próprio


A IMPORTÂNCIA DO NOME PRÓPRIO

NAS PROPOSTAS ESCOLARES

Quando as crianças começam a aprendizagem da língua escrita, saber escrever o seu próprio nome é, muitas vezes, um ponto de partida que lhes permite reflectir sobre algumas características da escrita. O nome é uma palavra muito familiar e significativa para as crianças e pode com a ajuda do professor levá-las a realizar muitas aprendizagens linguísticas motivadoras da leitura e da escrita. As crianças poderão descobrir que:

  • A escrita do seu nome é estável, que mantém as suas características independentemente do contexto em que aparece;

  • As crianças podem reconhecê-lo com relativa facilidade;

  • À medida que vão reconhecendo a relação que existe entre a letra inicial do seu nome e o som inicial podem estabelecer relações similares com outros nomes e com outras palavras;

  • Podem estabelecer comparações entre a grafia do seu nome e a de outras palavras;

  • Quando as crianças ainda não conhecem muitas letras, o nome pode servir como um “abecedário”. Elas prestam mais atenção às letras que fazem parte do seu nome, já que as consideram como que fazendo parte delas.

Por estas razões é muito importante trabalhar com as listas de presença (vendo quem está presente e quem falta). Além de ser uma actividade colectiva, permite a troca de ideias entre as crianças.

Método das 28 palavras

O “Método das 28 palavras” (http://palavras28.no.sapo.pt/) tira partido do potencial da imagem na aprendizagem da leitura e da escrita. Trata-se de um método muito divulgado na aprendizagem de crianças com dificuldades de aprendizagem e com resultados muito positivos.
As crianças com Necessidades Educativas Especiais (N.E.E.) manifestam problemas sensoriais, físicos, intelectuais e emocionais e, também, muitas vezes, evidenciam dificuldades de aprendizagem derivadas de factores mentais, orgânicos ou ambientais.
Para estas crianças a aprendizagem da leitura e da escrita constitui a pedra basilar de que depende todo o seu percurso académico. Contudo, para o ensino destas competências básicas, os professores recorrem a métodos baseados quase exclusivamente em suportes convencionais como seja o livro de texto, ilustrações, cartazes, etc.
Todos sabemos como o computador tem vindo a entrar cada vez mais cedo na vida das crianças. Desde a mais tenra idade que o ambiente informático lhes é familiar; trata-se de um mundo que as atrai devido às suas cores, ao movimento, aos sons.
O acto da ler e de escrever é um processo complexo que implica um conjunto de conhecimentos que a pessoa adquire ao longo da sua vida antes e durante o seu ingresso no ambiente escolar. É uma actividade cognitiva e não uma capacidade sensorial e auditiva que se pensava ser necessário para aprender a ler e a escrever. É uma descodificação e compreensão de representações gráficas e auditivas.
A aprendizagem da leitura e da escrita baseia-se em dois pressupostos fundamentais : o de retirar informação visual (sinais gráficos) e também o de compreensão do que se está a ler e a escrever.
O ingresso na leitura e na escrita por parte da criança é um processo de aprendizagem, de prática e de aperfeiçoamento. Antes desse ingresso, a criança já dominava a comunicação oral e usava-a de maneira autónoma e perfeita para ser entendida e compreendida pelos demais interlocutores. Portanto, a aprendizagem da leitura e da escrita visa o mesmo objectivo, ou seja, dar ao educando uma autonomia para poder compreender e ser compreendido pelos seus interlocutores. – “aprender a ler e a escrever representa, nesta perspectiva, dar à criança os meios que lhe permitam comunicar com outrem na sua ausência, exigindo-lhe desta forma a conquista de uma autonomia”.

“Os Jogos da Mimocas”

“Os Jogos da Mimocashttp://www.malhatlantica.pt/estudoacompanhado/video_jogos_mimocas.htm é um software educacional, desenvolvido através de uma parceria estabelecida entre a APPT21 (Associação Portuguesa de Portadores de Tríssomia 21) e a ESGS (Escola Superior de Gestão de Santarém), e co-financiado pelo SNRIPD (Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência).
“Os Jogos da Mimocas”, orientado para uma população alvo caracterizada por um estádio de desenvolvimento correspondente ao de uma criança com deficiência mental e com um conjunto de actividades utilizáveis por crianças a partir do 18 meses.
Com este projecto pretendeu-se avaliar a capacidade deste tipo de programas para:
a) Promover o desenvolvimento da linguagem compreensiva e expressiva, a memorização do estímulo auditivo, a discriminação auditiva e visual e o processamento auditivo da informação;
b) Promover a inteligibilidade, utilizando a palavra escrita como suporte visual da palavra oral;
c) Aumentar o léxico e promover o desenvolvimento da gramática, recorrendo a actividades baseadas no processamento e na memória visual;
d) Adequar o Programa “Ensinar a ler para ensinar a falar” – programa adaptado do original inglês, utilizado pelo Sara Duffen Centre, em Portsmouth, e promovido pela APPT21 a nível nacional – a um ambiente multimédia interactivo.

O PAPEL POLÍTICO SOCIAL E DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

O PAPEL POLÍTICO SOCIAL E DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A participação do aluno portador de deficiência nas atividades extracurriculares de forma integrada com seus colegas é muito importante, pois beneficia a percepção mais ampla da realidade social e favorece o desenvolvimento geral do aluno.
Sempre é bom lembrar a importância da participação da família. Por mais simples que sejam, os parentes mais próximos, como pais e irmãos, podem, querem e devem participar. E os professores devem ajudá-los nessa tarefa, prestando-lhes informação, orientações, e fazendo-os sentirem-se partes integrantes e indispensáveis do processo.
A educação de crianças com necessidades educacionais especiais é uma tarefa a ser dividida entre pais e profissionais. Uma atitude positiva da parte dos pais favorece a integração escolar e social. Pais necessitam de apoio para que possam assumir seus papéis de pais de uma criança com necessidades especiais. O papel das famílias e dos pais deveria ser aprimorado através da provisão de informação necessária em linguagem clara e simples, ou enfoque na urgência de informação e de treinamento em habilidades paternas constitui uma tarefa importante em culturas aonde a tradição de escolarização seja pouca.
O desenvolvimento de escolas inclusivas como o modo mais efetivo de atingir a educação para todos deve ser reconhecido como uma política governamental chave e dado o devido privilégio na pauta de desenvolvimento da nação. Somente desta maneira que os recursos adequados podem ser obtidos. Mudanças nas políticas e prioridades podem acabar sendo inefetivas a menos que um mínimo de recursos requeridos seja providenciado. O compromisso político é necessário, tanto a nível nacional como comunitário para que se obtenha recursos adicionais e para que se re-empregue os recursos já existentes. Ao mesmo tempo em que as comunidades devem desempenhar o papel-chave de desenvolver escolas inclusivas, apoio e encorajamento aos governos também são essenciais ao desenvolvimento efetivo de soluções viáveis.

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA INCLUSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA INCLUSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O sucesso de escolas inclusivas depende em muito da identificação precoce, avaliação e estimulação de crianças pré-escolares com necessidades educacionais especiais. Assistência infantil e programas educacionais para crianças até a idade de seis anos deveriam ser desenvolvidos e/ou reorientados no sentido de promover o desenvolvimento físico, intelectual e social e a prontidão para a escolarização.
Tais programas possuem um grande valor econômico para o indivíduo, a família e a sociedade na prevenção do agravamento de condições que inabilitam a criança. Programa neste nível deveriam reconhecer o princípio da inclusão e serem desenvolvidos, de uma maneira abrangente, através da combinação de atividades pré-escolares e saúde infantil.
FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
Treinamento pré-profissional deveria fornecer a todos os estudantes de pedagogia de ensino primário ou secundário, orientação positiva frente à deficiência, desta forma desenvolvendo um entendimento daquilo que pode ser alcançado nas escolas através dos serviços de apoio disponíveis na localidade. O conhecimento e habilidades requeridas dizem respeito principalmente à boa prática de ensino e incluem a avaliação de necessidades especiais, adaptação do conteúdo curricular, utilização de tecnologia de assistência, individualização de procedimentos de ensino no sentido de abarcar uma variedade maior de habilidades.
As habilitações dos Cursos de Pedagogia para formação de professores de alunos com deficiência deveriam ser extintas e que os cursos de especialização não deveriam se dedicar a especializar os educadores em tipo de incapacidade, em uma categoria de alunos, mas estar voltados para o aprofundamento pedagógico desse profissional, de modo que pudesse entender melhor a criança em geral, no seu desenvolvimento. Em outras palavras, os professores precisam dominar cada vez mais os conteúdos curriculares, os processos de ensino e de aprendizagem, isto é especializarem-se no “o que”, no “como” e no “para que” se ensina e se aprende.
Ao nosso ver, o tratamento das questões relativas ao ensino de pessoas com deficiência na formação geral dos educares eliminariam, em grande parte, os obstáculos que se interpõem entre a escola regular e esses alunos. A formação única pra todos os educadores propiciaria a tão esperada fusão entre a educação especial e a regular, nos sistemas escolares.


POSTURA DO PROFESSOR
Vivemos em uma cultura que valoriza mais as questões econômicas que as questões sociais. Essa verdade, tão conhecida por todos nós, vem explicar a desvalorização que, em nossa sociedade, se dá às crianças, aos adolescentes, aos idosos, e principalmente aos portadores de deficiência, que não fazem parte da população economicamente ativa, que são considerados “um peso” para o sistema.
A ação do professor, tanto no que se refere ao seu planejamento, como a sua atuação efetiva na vivência de sala de aula, é determinada pelo seu jeito de pensar a vida, pela sua visão de mundo, pela leitura que faz da sociedade, da educação, do ensino, do seu papel no trabalho, de si mesmo enquanto cidadão, de seu compromisso com o aluno, da relação professor/aluno. Todas essas idéias, essas concepções, constituem uma verdadeira teoria pessoal, subjetiva, particular, resultado da história de vida de cada um.
Cabe ainda a esse professor:
  • Buscar formas de o aluno manifestar o que pode aprender e não se preocupar com as rotulações;
  • Organizar práticas educativas que permitam aos alunos oferecerem uns aos outros, ajuda para a solução das dificuldades;
  • Utilizar as experiências de vida do próprio aluno como fator motivador da aprendizagem dele;
  • Ser flexível nos métodos de avaliação, pois sabe que os testes, provas e exames provocam medo e ansiedade nos alunos;
  • Contribuir para a construção de uma escola de qualidade para todos, cooperando com o aprimoramento do sistema escolar, no sentido de melhorar o acesso à educação das pessoas com necessidades educativas especiais.

A ESCOLA INCLUSIVA

A ESCOLA INCLUSIVA
As escolas tradicionais não dão conta das condições necessárias às mudanças propostas por uma educação aberta às diferenças, pois não são concebidas para atender à diversidade e têm uma estrutura rígida e seletiva no que diz respeito à aceitação e a permanência de alunos que não atendem às suas expectativas acadêmicas clássicas e conteudistas.
Existe um consenso emergente de que crianças e jovens com necessidades educacionais especiais devem ser incluídas em arranjos educacionais feitos para a maioria das crianças. Isto levou ao conceito de escola inclusiva. O desafio que confronta a escola inclusiva é no que diz respeito ao desenvolvimento de uma pedagogia centrada na criança e capaz de bem-sucedidamente educar todas as crianças, incluindo aqueles que possuam desvantagem severa.
Investimentos em escolas especiais existentes deveriam ser canalizados a este novo e amplificado papel de prover apoio profissional às escolas regulares no sentido de atender às necessidades educacionais especiais. Uma importante contribuição às escolas regulares que os profissionais das escolas especiais podem fazer refere-se à provisão de métodos curriculares às necessidades individuais dos alunos.
Escolas especiais podem servir como centro de treinamento e de recurso para os profissionais das escolas regulares

Comunicar utilizando a “Chave de Fitzgerald”

Comunicar utilizando a “Chave de Fitzgerald”

Apresentação do ambiente
Ambiente utilizando a chave de  Fitzgerald
Ambiente utilizando a chave de Fitzgerald
Pretende-se, com este exemplo apresentar um grelha interativa que permita facilitar a comunicação utilizando as categorias gramaticais da “Chave de Fitzgerald”.
Com essa grelha pretende-se que o utilizador expresse as ações que algumas personagens gostam de fazer.
Trata-se um exemplo simples com apenas três das cinco categorias gramaticais.
Objectivos do ambiente
  • facilitar a comunicação;
  • desenvolver a comunicação oral ao nível da compreensão e da expressão;
  • promover a associação das cores ao grupo de palavras;
  • construir uma frase simples.
Pré-requisitos de utilização

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A CAA e o Autismo

A CAA e o Autismo

De forma a dar a conhecer exemplos práticos de como a Comunicação Alternativa Aumentativa pode ser utilizada, fomos visitar a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de São Miguel e Santa Maria.
A APPDA de São Miguel e Santa Maria é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sedada em Ponta Delgada, fundada por um grupo de pais com filhos com perturbações do desenvolvimento e que pretende desenvolver as competências cognitivas, sociais e motoras intencionais coordenadas dos seus utentes, a criatividade e a expressão através da manipulação de materiais.
Encontramos vários exemplos do uso da CAA, usada principalmente para identificar diferentes locais e para facilitar as acções que fazem parte das rotinas dos utentes que frequentam esta instituição.
Na entrada, os cabides encontram-se identificados com a foto de cada elemento, permitindo uma melhor organização.
É na casa de banho que encontramos mais indicações. Estas permitem desenvolver a autonomia, ensinando através de imagens movimentos simples e rotineiro, como lavar de mãos e ir à casa de banho.


Este é o sítio onde as actividades de grupo são desenvolvidas. Estas são fundamentais para que a criança com autismo desenvolva competências sociais e estabeleça o contacto com o mundo que o rodeia.

As actividades de recriação também são prioridade nesta instituição. Ambos os locais encontram-se identificados por um símbolo de SPC.

Durante a visita, foi evidenciado pela Psicóloga Carolina Benjamin a falta de recursos humanos e logísticos, tendo em conta as necessidades destas crianças/jovens. A ausência de uma Terapeuta da Fala a tempo inteiro condicionada a intervenção ao nível da comunicação e da linguagem, verificando a falta de dispositivos adequados.
Apesar desta situação, todos os esforços são feitos pela equipa. Descobrimos que um utente usa o caderno de comunicação, onde coloca o símbolo correspondente á actividades que quer realizar.
Esta é apenas um exemplo de como a comunicação pode ser desenvolvida e adaptada de acordo com as necessidades, e mesmo quando os recursos são limitados, há sempre formas de estimular o desenvolvimento de cada pessoa com NEE.
Para mais informações, poderão consultar o folheto da APPDA de São Miguel e Santa Maria.
Bibliografia: http://www.appda-lisboa.org.pt/federacao/acores.php

Novas tecnologias para a comunicação

Novas tecnologias para a comunicação

Publicado por: comunicacaoaa em: 20 20UTC Fevereiro 20UTC 2010
Neste post iremos descrever técnicas/produtos de apoio que permitem a acessibilidade de pessoas com alguma incapacidade, nomeadamente na comunicação. É de referir que algumas notícias são referentes ao ano 2006, pelo que poderá haver alteração em relação à informação aqui colocada.


O TMN Talks e Zooms é uma solução para pessoas com deficiência visual, que permite melhorar a sua qualidade de vida. Esta tecnologia converter toda a informação em som e amplia a informação do ecrã, facilitando a leitura.
O Laboratório de Acessibilidade do Yahoo! apresentou em Dezembro de 2009 uma versão de um Teclado em Braille para ser utilizado cegos. Esta empresa também está a desenvolver e aperfeiçoar leitores de ecrã, ratos, joysticks e outros dispositivos que facilita a pessoas com deficiência visual usarem a tecnologia.
O Projecto de Acessibilidade Social é uma ferramenta que permite construir páginas na internet acessíveis para cegos. Esta ferramenta recolhe informações de problemas de acessibilidade e modifica externamente as páginas, sem alteração do conteúdo original.
A aplicação Magic Key Eye Control permite controlar o rato do computador apenas com os olhos que o utilizador. Esta aplicação pode ser útil para pessoas com Paralisia Cerebral ou outras patologias que impeçam o uso dos membros superiores.


A empresa Level Star lançou em 2006 o Icon, um PDA para pessoas com deficiência visual. Este serve, entre outros, de leitor de audio-books, grava notas vocais e navega na Internet. Também foi lançado uma base de acolhimento, em formato de teclado Braille, de forma a tratar texto, apesar de perder alguma mobilidade.
A Emprint™ é uma tecnologia lançada em 2006, que combina impressão a cores HP com a tecnologia Tiger® – impressão Braille. Esta máquina cria documentos com impressões tácteis, sendo esta uma boa ferramenta para trabalhar com pessoas com dificuldade visuais.
Estas e outras notícias podem ser consultadas na página www.ajudas.com/.

Autismo

Autismo (Stephen von Tetzchner, Martinsen, H., 2000)

Comunicação e Linguagem pobres são uma característica do autismo e cerca de 50% dos adultos com autismo não têm linguagem funcional. As crianças com autismo costumam apresentar um domínio reduzido dos gestos. Podem utilizá-los para atingir determinados objectivos e propósitos instrumentais, por exemplo, levar uma pessoa pela mão para obter qualquer coisa, mas não aparentam influenciar a atenção do adulto. Isto torna difícil estabelecer momentos de atenção conjunta e criar contextos partilhados. Para as crianças com autismo a falta de referenciação ao contexto constitui o maior problema, mesmo quando aprendem a falar. O seu problema poderá não ser tanto o relacionamento humano mas o social para partilhar contextos.
As que aprendem a falar têm geralmente um desenvolvimento da linguagem muito atrasado e as competências linguísticas variam muito. Algumas pessoas com autismo não usam signos nem fala e quase não possuem qualquer compreensão da linguagem. Outras falam e têm boa compreensão. A grande maioria das que começam a falar, apresenta no início muita reprodução ecolálica, isto é, repetição de palavras e frases, fora do contexto. Raramente iniciam o contacto com as outras pessoas. Mesmo as pessoas autistas com melhor funcionamento falam por vezes produzindo “monólogos”, isto é, sem ter em consideração o ouvinte e muitas vezes interpretam o que os outros dizem demasiado à letra.
Considerando o prognóstico relativamente reservado que as crianças com autismo têm para o desenvolvimento da linguagem, é natural proporcionar-lhes uma intervenção que inclua comunicação alternativa. Partindo do principio de que metade das crianças com autismo na irá desenvolver fala e que, para alem disso, apresentará lacunas na compreensão da linguagem, é lógico acreditar que um sistema de comunicação gestual ou gráfico irá converter-se na sua forma principal de comunicação - uma língua materna alternativa. As pessoas com autismo podem utilizar várias formas de comunicação alternativa. Utilizam signos gestuais (língua gestual ou makaton), diversos sistemas gráficos (especialmente o PECS e PCS), escrita e imagens. No entanto, a utilização de signos gestuais é a mais comum até à data.


Tecnologias de Apoio

Tecnologias de Apoio

O termo “tecnologias de apoio”, pode ser definido como: “ qualquer item, peça de equipamento ou sistema de produtos que, quando adquiridos comercialmente, modificados ou feitos sob medida, serão utilizados para aumentar, manter ou melhorar as competências funcionais do indivíduo com limitações funcionais” (Technology- Related Assistance for Individuals with Disabilities Public Act 100.407, 1988).


A prescrição de um item de tecnologias de apoio demanda um processo integrado e equilibrado que envolve o terapeuta e a equipa transdisciplinar. Devem ser seguidas as seguintes etapas:
1.Avaliação da criança.
2.Avaliação dos dispositivos actualmente utilizados pela criança.
3.Avaliação das necessidades da família e a criança.
4.Prescrição do item de tecnologia de apoio.
5.Desenvolvimento do projecto.
6.Treino do uso da tecnologia de apoio, com a criança e família.
7.Acompanhamento durante a utilização do item.
8.Reavaliações periódicas que podem levar a adaptações, modificações ou substituição de dispositivos.
Sistemas Aumentativos e Alternativos de Comunicação
A comunicação é a forma que se tem de interagir, trocar informações, conhecimentos, transmitir e compartilhar sensações, pensamentos e sentimentos. A fala é o elemento mais funcional e rápido do ser humano que permite uma comunicação efectiva.
A comunicação alternativa e aumentativa implica o uso de formas não faladas como complemento ou substituto da linguagem falada:
A comunicação alternativa é qualquer forma de comunicação diferente da fala e usada por uma pessoa em contextos de comunicação frente a frente. Os signos gestuais, os signos gráficos, o código Morse, a escrita, entre outros, são formas alternativas de comunicação para indivíduos que não são capazes de comunicar pela fala.
A comunicação aumentativa diz respeito à comunicação complementar ou de apoio. A palavra “aumentativa” salienta que o ensino das formas alternativas de comunicação tem um duplo objectivo: promover e apoiar a fala e garantir uma forma de comunicação alternativa se a pessoa não aprender a falar.
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As crianças que apresentam problemas de fala podem necessitar de comunicação alternativa para aprender a falar ou para aumentar a sua comunicação e tornar a fala mais compreensível. A implementação dos SAAC vem apoiar estas crianças, no desenvolvimento de possibilidades comunicativas, tornando-as activas nas relações interpessoais, mesmo quando não têm a fala funcional.
Os SAAC podem ser sistemas que não necessitam de ajuda externa (sistemas sem tecnologia), e sistemas que necessitam de ajuda externa (sistemas com alta e baixa tecnologia). A distinção entre comunicação com ajuda e sem ajuda e entre comunicação dependente e independente refere-se a formas diferentes de comunicação alternativa (Stephen von Tetzchner, Martinsen, H., 2000):

Os elementos que fazem parte dos sistemas alternativos de comunicação são signos gestuais, gráficos e tangíveis. O termo “sistema de signos” pode ser usado para descrever conjuntos destes signos (Stephen von Tetzchner, Martinsen, H., 2000):
· Os signos gestuais incluem a língua gestual dos surdos e outros signos realizados com as mãos.
· Os signos gráficos incluem todos os signos produzidos graficamente (Bliss, SPC, PIC, Rebus, etc.).
· Os signos tangíveis são geralmente feitos em madeira ou plástico, podendo apresentar formas e texturas diferentes. Alguns destes signos são realizados para cegos ou indivíduos com deficiência visual e podem ser designados como “signos tácteis”.