Será o ensino regular a melhor opção para uma criança com necessidades
educativas especiais?
O Suporte Emocional
Em
primeiro lugar, deve reconhecer-se que o contacto e o convívio, formal e
informal, entre os diversos alunos, com e sem deficiências, é um meio para que
os comportamentos, típicos de cada um e/ou de cada deficiência se normalizem.
É uma oportunidade para a construção de relações afectivas, que podem vir a
revelar-se, ao longo dos anos, como um suporte emocional fundamental na
construção da personalidade dos alunos com deficiência. Faz com que ganhem
forças para superar modificações sociais, geralmente mais autónomas e
diversificadas. Por sua vez os alunos ditos “normais” poderão desenvolver uma
maior capacidade da aceitação da diferença.
Suporte Social e
instrução
Num envolvimento normal, as pessoas com deficiência podem ter
um suporte social e/ ou um suporte instruidor. A convivência com colegas, o
apoio destes nas actividades da escola contribui para um suporte social. O
suporte instruidor deriva da aprendizagem cooperativa, da aprendizagem por
imitação, etc. Estes suportes são bastante importantes no desenvolvimento dos
alunos com deficiência mental acentuada. No entanto, especialistas concluem que
não se têm valorizado suficientemente o papel que as redes de suporte social
podem fazer com estas crianças, bem como com as suas famílias.
O apoio de
especialistas pode ir reduzindo as distâncias entre crianças normais e crianças
com deficiência, os professores de apoio que trabalham fora da sala de aula, com
pequenos grupos de alunos, podem passar a dar apoio dentro dela. Este caminho
implica a organização do trabalho interagindo, solidariamente, os dois
professores (normal e de ensino especial) assim, podem definir e construir a
melhor forma de trabalharem.
Algumas pessoas entendem que o apoio na sala de
aula pode ter algumas consequências negativas nas aprendizagens, como por
exemplo, uma quebra de atenção por parte do aluno durante a realização de uma
tarefa, situações de discriminação, etc.
No entanto, o objectivo fundamental
é criar melhores condições de aprendizagem para todos os alunos, a presença de
outros recursos na sala de aula, no caso um segundo professor, pode constituir
uma ajuda importante.
O aluno com necessidades especiais necessitará sempre
de apoio extra aula, o apoio na sala de aula é importante mas não é o
suficiente, este deve ser alargado a outros
espaços/ambientes.
Cooperação e Organização da Sala de
Aula
Uma boa organização na sala de aula exige a presença de regras
claras, quer no que respeita ao comportamento, como na forma de execução das
tarefas e actividades de aprendizagem. No entanto, todo esse processo de
organização e funcionamento deve passar pelo respeito mútuo, pela aceitação e
compreensão das necessidades do outro, por um processo aberto e dinâmico de
negociação onde o aluno se sente responsável e participante.
Inclusão
e suporte social às familias
A implementação da inclusão escolar não deve
ignorar o funcionamento das famílias com crianças deficientes. O facto de
crianças com necessidades educativas especiais frequentarem uma escola regular é
uma fonte geradora de stress.
Stress Familiar e a escola a
escolherem
Como já referimos anteriormente as famílias de pessoas com
necessidades educativas especiais, embora consideradas competentes e capazes de
responder às necessidades dos seus filhos, são particularmente vulneráveis ao
stress. Assim, a deficiência influencia as relações familiares a vários níveis
tais como a ruptura matrimonial, os desentendimentos entre pais e filhos, a
qualidade da relação entre irmãos, o aumento das dificuldades económicas, num
maior isolamento, etc.
Mudar a escola tornando-a mais receptiva à
diferença (mais inclusiva) é difícil, se esta não se ajustar às expectativas e
necessidades das famílias e dos alunos será um factor/fonte considerável de
stress e violência para o aluno e para a família.
O aumento do stress
familiar, motivado pela decisão da criança com deficiência frequentar uma escola
regular, parece resultar de vários factores, tais como:
• Do confronto diário
com a diferença entre os seus filhos e as crianças ditas “normais”;
• Do
sentimento de discriminação;
• Das dificuldades encontradas na adaptação
social e escolar dos seus filhos;
• Do receio da integração levar à perda de
outros serviços prestados à criança e à família;
• Do receio de colocarem os
seus filhos num envolvimento que consideram “não preparado” para os receber e
onde estarão “menos protegidos”.
A diversidade de apoios sociais, formais
e informais, parecem reduzir o stress familiar. Uma investigação mostrou que as
famílias que apresentam menos stress são as que recebem ajudas a vários níveis.
Os parentes e amigos podem desempenhar um papel fundamental no alargamento das
relações sociais das famílias com crianças deficientes. Também os profissionais
são um apoio importante com que as famílias deverão contar, apesar da história
de relações entre pais e profissionais nem sempre tenha sido positiva.
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